quinta-feira, 18 de Março de 2010
Haiti: (Ainda) o problema do abrigo
sexta-feira, 12 de Março de 2010
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Missão "Salvar vidas no Haiti" - Entrevista com Ricardo Marquez no Açoriano Oriental

“Com dezoito mil euros temos feito milagres no Haiti”
O médico do Centro de Saúde da Praia da Vitória regressou há dois dias do Haiti, onde esteve em missão pela associação Saúde em Português. Mas se pudesse voltaria amanhã.
RM: Eu trabalho na assistência a vítimas de catástrofes desde 1999 - quando comecei a ter formação nessa área - e a motivação, penso que será a mesma de qualquer português quando vê e ouve notícias do Haiti ou de uma catástrofe - fica-se com vontade de ajudar. É fácil estar motivado para uma situação desta, mas não chega estar motivado - é preciso estar preparado para poder realizar uma missão e poder chegar junto às vítimas.
RM: Nós fomos numa missão sem nenhum tipo de apoio financeiro do Estado português. Inicialmente, foi uma missão difícil, porque a logística estava muito reduzida - não só financeiramente, mas também porque inicialmente éramos só dois elementos. Fomos trabalhar directamente com as Nações Unidas, integrados em várias ONG’s. Estivemos com uma brigada médica de assistência psicológica da Faculdade de Psicologia - quando ocorreu a catástrofe juntaram-se vários médicos, enfermeiros, estudantes e psicólogos numa brigada de assistência à vítima e quando chegamos fomos integrados na brigada, para coordenação e orientação de situações de catástrofe e, sobretudo, para assistência a uma população de quase 20 mil pessoas. As imagens de destruição, mas também de alguma impotência e falta de organização do país, correram o mundo.
PG: Qual foi o cenário que encontrou e quais foram as suas emoções no terreno perante tamanha catástrofe?
RM: Penso que nenhum país está preparado para uma catástrofe com esta magnitude. E infelizmente aconteceu no Haiti, um país que não tinha nenhuma infra-estrutura em condições, nem uma organização para dar resposta a uma situação normal, quanto mais a uma situação de crise, o que piorou imenso uma assistência em condições e em tempo útil. O país está completamente devastado. Tive oportunidade de ir ao local do epicentro do sismo e é impressionante... Não há um prédio inteiro! E mesmo dentro da capital, Port-au-Prince, onde estivemos a trabalhar, poucos são os edifícios que estão em pé e os que estão de pé têm grandes rachas e não oferecem condições para habitação ou trabalho. As principais infra-estruturas, como hospitais, caíram e os que ficaram de pé, ficaram mas com poucas condições. Tudo ficou devastado e a cidade ficou um autêntico caos, com as pessoas a morarem em tendas. E isto vai demorar ainda muitos anos - a situação vai ficar no coração e na mente da população haitiana. Vai ser muito difícil recuperar de um abalo psicológico como este.
PG: Perante tantas dificuldades, o que conseguiram fazer?
RM: Quando chegamos não tínhamos rigorosamente nada. Só tínhamos 1500 dólares, uma logística muito reduzida para poder iniciar uma missão. E há dias quando saímos do Haiti, deixamos uma missão completamente diferente! Com o apoio do Governo argentino conseguimos um contentor com comida para distribuir no nosso campo, conseguimos medicamentos, equipamentos médicos, também com a ajuda de outros países. E assistíamos 150 pessoas por dia no local onde estávamos - em frente ao Palácio do Governo. E todos os dias, havia há volta de 20 pessoas referenciadas para apoio psicológico. Conseguimos ter uma farmácia e fazer um plano de vacinação - vacinamos à volta de 480 pessoas de um outro campo. Estamos a dar apoio a um orfanato - com cerca de 52 crianças. Conseguimos camas, mosquiteiros, montar tendas para estas crianças. É maravilhoso para quem tem poucos recursos... Há organizações que foram para o Haiti com o apoio do Estado português com 100 a 200 mil dólares e chegaram à República Dominicana e a primeira coisa que fizeram foi comprar um carro. Infelizmente há organizações portuguesas que no terreno não estão a fazer um bom trabalho.
PG: Como conseguem manter as pessoas lá?
RM: Conseguimos com a receita do concerto - 18 mil euros. Com 18 mil euros temos feito milagres no Haiti: conseguimos mandar as equipas para o terreno com base num orçamento muito rigoroso, mas precisamos de mais. Temos alguns fundos da associação... mas são poucos. O que faríamos com 100 mil?!
PG: Estão a desenvolver alguma campanha para angariação de fundos?
RM: Sim. Trouxemos do Haiti uns desenhos que as crianças fizeram e vão ser expostos com o objectivo de angariar fundos para o orfanato. E vamos insistir na angariação de fundos porque o Haiti precisa. Nem em cem anos o Haiti estará reconstruído.
RM: É difícil chegar a Portugal e olhar para trás e não ficar com vontade de regressar para continuar a ajudar as pessoas. Mas, também em Portugal é preciso ajudar - basta ver o que aconteceu na Madeira. Mas seja no Haiti, na Madeira, no Chile, temos é de dar o nosso melhor, pois quando saímos desses lugares ficamos com a sensação que o muito pouco que fizemos significou muito. E a verdade é que, amanhã, voltaria outra vez!
quarta-feira, 3 de Março de 2010
Ciclo de Cinema O Outro Sexo | 12º Filme
Assinalando o Dia Internacional da Mulher, Saúde em Português, no âmbito do projecto O Outro Sexo, vai promover no dia 8 de Março, às 21H30, no Teatro Académico Gil Vicente, a última sessão do Ciclo de Cinema O Outro Sexo com o filme Annie Leibovitz - A vida através de uma lente (2006, Barbara Leibovitz). Após a projecção do filme, terá lugar um debate sobre o tema “Linguagem Imagem e Igualdade de Género”.A entrada é gratuita!
Para reserva de bilhetes: enviar um e-mail para ooutrosexo@gmail.com, com indicação do nome da reserva e do número de bilhetes pretendido. Pode levantar o seu bilhete na bilheteira do TAGV.
quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010
Guiné-Bissau: Abertura de concurso para contratação de Enfermeiro|a
Projecto “Mais Saúde, Melhor Saúde por Bafatá”, Guiné-Bissau
Saúde em Português procura 1 enfermeiro|a para integrar o projecto “Mais Saúde, Melhor Saúde por Bafatá” a partir de Abril próximo. As funções a desempenhar poderão ser consultadas nos termos de referência (aqui).
O contrato terá a duração de 6 meses a 1 ano.
Saúde em Português
Av. Elísio de Moura, nº 417, 1ºE
3030-183 Coimbra.
Haiti: Saúde em português continua no terreno
segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010
Saúde em Português solidária com o povo da Madeira, disponibiliza e mobiliza os seus recursos humanos para a causa humanitária
Perante a tragédia ocorrida na Região Autónoma da Madeira, envolvendo perda de vidas humanas ainda indeterminadas na sua dimensão de catástrofe, o que se lamenta pelo valor unitário de cada vida humana, Saúde em Português manifesta a sua solidariedade com os agregados familiares das vítimas e toda a rede de consternação que envolve a sociedade civil e as instituições.
Saúde em Português, enquanto organização não governamental, salienta todo o empenho e comunhão de esforços que está a ser desenvolvido pelas estruturas do Estado Português no sentido de minimizar as consequências da calamidade e lutar pela vida humana, demonstrativo da união necessária na aplicação e preservação dos valores fundamentais dos portugueses no seu conjunto.
Enquanto ONGD e também como membro do Grupo de Ajuda Humanitária e Emergência da Plataforma Portuguesa das Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento, Saúde em Português manifesta a sua disponibilidade pública para intervir no terreno, através da sua capacitação em gestão de crise e recursos humanos.
Não sendo uma organização com fundos fixos e cuja capacidade económica é reduzida e limitada por ausência de financiamentos externos, excepto os fundos originários da solidariedade civil para acções específicas, Saúde em Português compromete-se a mobilizar o seu capital, que são os seus recursos humanos em saúde e logística, para o que for tido como necessário e útil.