Instituição de Utilidade Pública de Portugal; Registo 1423/99 do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal; Membro da Plataforma Portuguesa das Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento; Membro Associado da Confederação Ibero Americana de Medicina Familiar; Membro Observador Consultivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa; Membro do fórum Não Governamental para a Inclusão Social

quinta-feira, 18 de Março de 2010

Haiti: (Ainda) o problema do abrigo

[a partir de Port-au-Prince] Apesar de não ser uma preocupação recente, foi hoje reiterado pelo USA Today que milhares dos cerca de 770.000 deslocados internos vivendo em Port-au-Prince ainda não tiveram acesso a tendas.
Numa época em que as chuvas se aproximam a equipa da Saúde em Português no Haiti não fica alheia a este facto e tem desenvolvido esforços no sentido de conseguir abrigo condigno para alguns dos orfanatos com os quais tem colaborado.
As tendas são um bem raro e precioso por estes lado, como todos imaginam, pelo que sabíamos que a tarefa não seria simples. (De tal modo que alguém comentava connosco que nalgumas cidades dos EUA o stock de tendas para venda esgotou!)
Mas não somos de desitir! Depois de algumas (várias) tentativas conseguimos tendas suficientes para alojar crianças de 3 orfanatos (com um total de 211 orfãos)! Temos consciência que a solução é temporária mas sabemos que estão agora melhor que na semana passada!



sexta-feira, 12 de Março de 2010

Seja Solidário, seja nosso associado!

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Seja associado. Por 4,99 euros por mês, estará a ajudar a vacinar uma criança na Guiné-Bissau, a salvar vidas no Haiti, a promover a igualdade de género e a inclusão social em Portugal, a apoiar projectos em Angola, Moçambique, Cabo Verde, a preparar nova ajuda a Timor, a formar técnicos em Macau e Goa, a estruturar-se para novas intervenções em catástrofe onde precisarem de nós. Associe-se, seja solidário!

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Missão "Salvar vidas no Haiti" - Entrevista com Ricardo Marquez no Açoriano Oriental


Entrevista com Ricardo Marquez no Açoriano Oriental

Por Paula Gouveia

“Com dezoito mil euros temos feito milagres no Haiti”

O médico do Centro de Saúde da Praia da Vitória regressou há dois dias do Haiti, onde esteve em missão pela associação Saúde em Português. Mas se pudesse voltaria amanhã.

PG: O que o motivou a ir nesta missão para o Haiti?

RM: Eu trabalho na assistência a vítimas de catástrofes desde 1999 - quando comecei a ter formação nessa área - e a motivação, penso que será a mesma de qualquer português quando vê e ouve notícias do Haiti ou de uma catástrofe - fica-se com vontade de ajudar. É fácil estar motivado para uma situação desta, mas não chega estar motivado - é preciso estar preparado para poder realizar uma missão e poder chegar junto às vítimas.
PG: O que procuraram fazer no terreno?

RM: Nós fomos numa missão sem nenhum tipo de apoio financeiro do Estado português. Inicialmente, foi uma missão difícil, porque a logística estava muito reduzida - não só financeiramente, mas também porque inicialmente éramos só dois elementos. Fomos trabalhar directamente com as Nações Unidas, integrados em várias ONG’s. Estivemos com uma brigada médica de assistência psicológica da Faculdade de Psicologia - quando ocorreu a catástrofe juntaram-se vários médicos, enfermeiros, estudantes e psicólogos numa brigada de assistência à vítima e quando chegamos fomos integrados na brigada, para coordenação e orientação de situações de catástrofe e, sobretudo, para assistência a uma população de quase 20 mil pessoas. As imagens de destruição, mas também de alguma impotência e falta de organização do país, correram o mundo.

PG: Qual foi o cenário que encontrou e quais foram as suas emoções no terreno perante tamanha catástrofe?

RM: Penso que nenhum país está preparado para uma catástrofe com esta magnitude. E infelizmente aconteceu no Haiti, um país que não tinha nenhuma infra-estrutura em condições, nem uma organização para dar resposta a uma situação normal, quanto mais a uma situação de crise, o que piorou imenso uma assistência em condições e em tempo útil. O país está completamente devastado. Tive oportunidade de ir ao local do epicentro do sismo e é impressionante... Não há um prédio inteiro! E mesmo dentro da capital, Port-au-Prince, onde estivemos a trabalhar, poucos são os edifícios que estão em pé e os que estão de pé têm grandes rachas e não oferecem condições para habitação ou trabalho. As principais infra-estruturas, como hospitais, caíram e os que ficaram de pé, ficaram mas com poucas condições. Tudo ficou devastado e a cidade ficou um autêntico caos, com as pessoas a morarem em tendas. E isto vai demorar ainda muitos anos - a situação vai ficar no coração e na mente da população haitiana. Vai ser muito difícil recuperar de um abalo psicológico como este.

PG: Perante tantas dificuldades, o que conseguiram fazer?

RM: Quando chegamos não tínhamos rigorosamente nada. Só tínhamos 1500 dólares, uma logística muito reduzida para poder iniciar uma missão. E há dias quando saímos do Haiti, deixamos uma missão completamente diferente! Com o apoio do Governo argentino conseguimos um contentor com comida para distribuir no nosso campo, conseguimos medicamentos, equipamentos médicos, também com a ajuda de outros países. E assistíamos 150 pessoas por dia no local onde estávamos - em frente ao Palácio do Governo. E todos os dias, havia há volta de 20 pessoas referenciadas para apoio psicológico. Conseguimos ter uma farmácia e fazer um plano de vacinação - vacinamos à volta de 480 pessoas de um outro campo. Estamos a dar apoio a um orfanato - com cerca de 52 crianças. Conseguimos camas, mosquiteiros, montar tendas para estas crianças. É maravilhoso para quem tem poucos recursos... Há organizações que foram para o Haiti com o apoio do Estado português com 100 a 200 mil dólares e chegaram à República Dominicana e a primeira coisa que fizeram foi comprar um carro. Infelizmente há organizações portuguesas que no terreno não estão a fazer um bom trabalho.

PG: De que organizações está a falar?

RM: Não vale a pena referir... Nós temos neste momento uma equipa de sete elementos. Com um concerto que se fez em Coimbra e com o apoio das Nações Unidas, estamos a fazer um trabalho brilhante para a quantidade de dificuldades que tivemos. Temos agora um projecto para criação de um centro de saúde, avaliado em 248 mil dólares - para fundos da OMS. Esperamos começar a desenvolver o projecto já no mês de Abril.

PG: Como conseguem manter as pessoas lá?

RM: Conseguimos com a receita do concerto - 18 mil euros. Com 18 mil euros temos feito milagres no Haiti: conseguimos mandar as equipas para o terreno com base num orçamento muito rigoroso, mas precisamos de mais. Temos alguns fundos da associação... mas são poucos. O que faríamos com 100 mil?!

PG: Estão a desenvolver alguma campanha para angariação de fundos?

RM: Sim. Trouxemos do Haiti uns desenhos que as crianças fizeram e vão ser expostos com o objectivo de angariar fundos para o orfanato. E vamos insistir na angariação de fundos porque o Haiti precisa. Nem em cem anos o Haiti estará reconstruído.

PG: Quais são as prioridades no Haiti e como as pessoas podem contribuir?

RM: O Governo começou a acordar e a assistir a reuniões das Nações Unidas e a dar atenção às organizações que estão a trabalhar no terreno. De modo que as prioridades são os cuidados de saúde primários (controlo de epidemias), reconstrução de escolas e hospitais. Outra prioridade é a reconstrução de serviços básicos - água, saneamento - e distribuição de alimentos. Está tudo, tudo, tudo destruído!

PG: É difícil sair do Haiti, sabendo que ainda há muito para fazer?

RM: É difícil chegar a Portugal e olhar para trás e não ficar com vontade de regressar para continuar a ajudar as pessoas. Mas, também em Portugal é preciso ajudar - basta ver o que aconteceu na Madeira. Mas seja no Haiti, na Madeira, no Chile, temos é de dar o nosso melhor, pois quando saímos desses lugares ficamos com a sensação que o muito pouco que fizemos significou muito. E a verdade é que, amanhã, voltaria outra vez!

quarta-feira, 3 de Março de 2010

Ciclo de Cinema O Outro Sexo | 12º Filme

Assinalando o Dia Internacional da Mulher, Saúde em Português, no âmbito do projecto O Outro Sexo, vai promover no dia 8 de Março, às 21H30, no Teatro Académico Gil Vicente, a última sessão do Ciclo de Cinema O Outro Sexo com o filme Annie Leibovitz - A vida através de uma lente (2006, Barbara Leibovitz). Após a projecção do filme, terá lugar um debate sobre o tema “Linguagem Imagem e Igualdade de Género”.

A entrada é gratuita!

Para reserva de bilhetes: enviar um e-mail para ooutrosexo@gmail.com, com indicação do nome da reserva e do número de bilhetes pretendido. Pode levantar o seu bilhete na bilheteira do TAGV.


Programa Aqui


quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Guiné-Bissau: Abertura de concurso para contratação de Enfermeiro|a

Projecto “Mais Saúde, Melhor Saúde por Bafatá”, Guiné-Bissau

Saúde em Português procura 1 enfermeiro|a para integrar o projecto “Mais Saúde, Melhor Saúde por Bafatá” a partir de Abril próximo. As funções a desempenhar poderão ser consultadas nos termos de referência (aqui).

O contrato terá a duração de 6 meses a 1 ano.

Este projecto, no terreno desde Fevereiro de 2008, é co-financiado da Comissão Europeia e do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento.

O prazo de candidaturas prolonga-se até ao próximo dia 10 de Março devendo ser enviado o Curriculum Vitae (máximo 3 páginas) acompanhado de carta de motivação (máximo 2 páginas) para info@saudeportugues.org ou

Saúde em Português

Av. Elísio de Moura, nº 417, 1ºE

3030-183 Coimbra.

Para esclarecimentos quanto ao concurso contactar: Saúde em Português (Pessoa de contacto: Mónica Ferreira) através do Tlf: 239 702 723, Tlm: 960 092 989, ou email info@saudeportugues.org

Haiti: Saúde em português continua no terreno


Na SIC: «Mais de 400 mil pessoas continuam ao relento no Haiti
Mais de 400 mil pessoas continuam a dormir ao relento no Haiti, "a viver sem qualquer tipo de alojamento, nem tendas", disse à Lusa Ricardo Gabriel, da organização não governamental Associação Saúde em Português (ASP).
Contactado telefonicamente pela Lusa a partir de Lisboa, Ricardo Gabriel salientou que "neste momento a OMS - Organização Mundial de Saúde - ainda está a lidar com os problemas atuais. Ainda há cerca de 400 mil pessoas que não têm qualquer tipo de alojamento. Nem sequer tendas. A OMS, apesar de saber que vem aí a época das chuvas, está neste momento a lidar com os problemas dos desalojados".

O Haiti, sobretudo a capital, Port-au-Prince, foi violentamente sacudido por um forte sismo no passado dia 12 de janeiro, que provocou pelo menos 217 mil mortos e mais de um milhão de desalojados.

Para Ricardo Gabriel, de 30 anos e que chegou no passado dia 10 a Port-au-Prince para a sua primeira missão humanitária em zona de catástrofe, há duas lutas a travar pela ASP no Haiti: salvar pessoas e angariar apoios que permitam continuar a prestar assistência médica.

Composta agora por dois médicos e dois enfermeiros, um dos quais chegou domingo à República Dominicana, a ASP deverá continuar a assistir "entre 20 mil a 25 mil pessoas" somente até ao próximo dia 06 de março, a não ser que sejam mobilizados mais apoios.

"Tem sido um grande esforço da ASP em Portugal para obter donativos da população e de nós cá, a tentar encontrar outros apoios", afirmou Ricardo Gabriel, que lamentou a falta de apoio do Estado português à missão.

"Mantém-se a falta de apoio. O que temos sabido aqui é que Portugal não tem dado apoio à ASP. Não há apoio à nossa ação", vincou.

"O número de doentes que a equipa da ASP trata diariamente varia entre 100 e 150, nunca menos de 100, e para receber alimentos e mantimentos é uma luta constante", frisou.

A equipa da ASP "está constantemente em reuniões. Está constantemente a fazer contactos para que esses fornecimentos não parem. Mas tem sido um pouco inconstante, o que faz com que, no dia a dia, muitas horas são a tentar que não acabe o stock de medicamentos nem alguma comida".

Os quatro elementos da ASP no Haiti estão no campo de deslocados situado junto à Escola Etnológica, junto ao Palácio Presidencial e prestam ainda apoio a um bairro de lata da periferia de Port-au-Prince e a um orfanato. "Diria que somos uma clínica aberta, um hospital aberto", explicou.

Nesta sua primeira experiência de trabalho humanitário em zona de catástrofe, Ricardo Gabriel destaca como positivo a segurança que se começa a sentir e a resiliência dos haitianos.

"Não são visíveis problemas de segurança. Nas ruas não tenho visto quaisquer movimentos de gangues. Não podemos dizer que isso não exista, mas a cidade está segura", disse, acentuando que encontrou um povo "com muita força, a olhar para a frente, que tem espírito e não é derrotista". »

Informação daqui.

segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

Saúde em Português solidária com o povo da Madeira, disponibiliza e mobiliza os seus recursos humanos para a causa humanitária

Perante a tragédia ocorrida na Região Autónoma da Madeira, envolvendo perda de vidas humanas ainda indeterminadas na sua dimensão de catástrofe, o que se lamenta pelo valor unitário de cada vida humana, Saúde em Português manifesta a sua solidariedade com os agregados familiares das vítimas e toda a rede de consternação que envolve a sociedade civil e as instituições.

Saúde em Português, enquanto organização não governamental, salienta todo o empenho e comunhão de esforços que está a ser desenvolvido pelas estruturas do Estado Português no sentido de minimizar as consequências da calamidade e lutar pela vida humana, demonstrativo da união necessária na aplicação e preservação dos valores fundamentais dos portugueses no seu conjunto.

Enquanto ONGD e também como membro do Grupo de Ajuda Humanitária e Emergência da Plataforma Portuguesa das Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento, Saúde em Português manifesta a sua disponibilidade pública para intervir no terreno, através da sua capacitação em gestão de crise e recursos humanos.

Não sendo uma organização com fundos fixos e cuja capacidade económica é reduzida e limitada por ausência de financiamentos externos, excepto os fundos originários da solidariedade civil para acções específicas, Saúde em Português compromete-se a mobilizar o seu capital, que são os seus recursos humanos em saúde e logística, para o que for tido como necessário e útil.